terça-feira, 24 de setembro de 2013

SOBRE O ANUNCIADO PARA O SÃO CARLOS | Rui Vieira Nery


Foi-nos enviado por um leitor do Elitário Para Todos:
«Boas e más notícias para o nosso pobre Teatro de São Carlos. As boas são, naturalmente, a junção de três responsáveis muito qualificados na orientação artística do teatro - Adriano Jordão na Administração, Joana Carneiro como titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, Paolo Pinamonti como Consultor Artístico. Poderia a ser uma equipa ideal. Mas as más notícias começam logo a seguir, porque na realidade tudo parece estar de pernas para o ar na situação institucional do Teatro. Começando pelo Conselho de Administração, o Administrador Adriano Jordão está nomeado - tal como, de resto, o Presidente João Villalobos - pelo Revisor Oficial de Contas e não por resolução do Conselho de Ministros, ao abrigo de uma norma obscura da legislação sobre sociedades comerciais destinada a evitar rupturas de gestão nas respectivas empresas, e só com esta nomeação (excelente, por sinal, em termos artísticos) se pôs fim à estranhíssima situação anterior, em que durante meses os processos para despacho eram levados a Madrid para assinatura do Administrador César Viana, entretanto residente na capital espanhola mas supostamente ainda em funções (pelo exemplo, percebe-se o que esta gente entende por "Reforma do Estado"!). Em segundo lugar, continua a ser escandaloso o próprio princípio que preside à prática reiterada da nomeação da Direcção Artística do São Carlos pela tutela governamental e não pelo respectivo Conselho de Administração, que deveria ser o responsável independente por toda a actividade da instituição, e de preferência através de um concurso público com apresentação pelos candidatos de programas artísticos alternativos sujeitos a uma avaliação por peritos. Por último - e diria que acima de tudo - a dotação orçamental do São Carlos continua a ser miserável, e absolutamente impeditiva da concretização de uma temporada artística consistente, que justifique o investimento permanente que o Estado tem de fazer nos custos fixos da instituição, abra esta ou não as portas ao público. Depois de anos de mediocridade inaugurados pela infelicíssima decisão do então Secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, de afastar Paolo Pinamonti da Direcção do Teatro, substituindo-o pelo alemão Christoph Dammann, de triste memória, o São Carlos volta a ter uma equipa artística de grande competência. Mas continua desprovido dos meios orçamentais mínimos para que ela possa aplicar em pleno o seu conhecimento e a sua experiência, pelo que os nomeados se arriscam seriamente a ver a credibilidade dos seus nomes utilizada para legitimar uma operação condenada à partida pelo desprezo manifesto desta gente que nos governa pela Cultura e pelos seus agentes. Espero estar enganado e desejo de todo o coração os maiores sucessos ao Adriano, ao Paolo e à Joana, que bem os merecem».
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22.09
Rui Vieira Nery

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