segunda-feira, 31 de outubro de 2011

«LA CULTURA PARA LOS POBRES NO PUEDE SER UNA POBRE CULTURA»

Entrevista de José Antonio Abreu ao El Pais

onde se pode ler:

«¿Y todo encaminado a un objetivo social?

No puedes encaminar eso en virtud de una comodidad. En el aspecto social, la inclusión es el principio básico. Nuestro lema son los pobres primero y para los pobres los mejores instrumentos, los mejores maestros, las mejores infraestructuras. La cultura para los pobres no puede ser una pobre cultura. Debe ser grande, ambiciosa, refinada, avanzada, nada de sobras. Además, ellos multiplican su efecto, porque son enormemente agradecidos ante el esfuerzo. No es práctico incorporar a su vida esa faceta como si fuera un florero.»
É como aqui no Elitário Para Todos.

sábado, 29 de outubro de 2011

DA NOSSA VIDA NOS DIAS QUE CORREM NA CULTURA E NAS ARTES

Depois dos  posts anteriores onde o esplendor dos outros - paises ricos, dirão, com quem não nos podemos comparar, mas não é bem assim, diremos - voltemos a casa. E se não é empolgante o que se vê não pode deixar de ser positivo notar que as coisas mexem. Facilmente reunimos:
CINEMAAssociações do setor juntam-se para redigir documento comum sobre o setor;
- Delegação do Sindicato dos Trabalhadores do Espectáculo entregou manifesto na SEC;
- E em artigo de opinião de António Pinto Ribeiro no último Ipsilon escreveu:« (...) É, pois, imperioso pensarmos de modo diferente o modo de viabilizar a parte do cultural que depende da produção, da difusão e do institucional pragmático assegurado pelo Estado. Mais do que nunca era necessário ter uma Política Cultural que naturalmente não abrangesse, como nunca abrangeu, todos os aspectos da vida cultural e social de uma comunidade. Uma política cultural define os seus objectivos analisando como é que as artes e o património podem ser vistos como recursos e usados ao serviço de objectivos, de fins, tais como crescimento económico, emprego ou coesão social. Define escolhas em relação às heranças, ao património. Por que escolher o livro e subsidiá-lo e não o reportório de teatro por exemplo? (...) »
- E o Partido Comunista realizou uma audiência pública no Parlamento sobre o sector cultural, a 
«A criação e a fruição cultural assumem um papel absolutamente fundamental no que toca à capacitação de cada indivíduo e de cada colectivo, para a interpretação, crítica e criativa de uma realidade marcada pela paulatina degradação das condições de vida das populações e por um processo contínuo de afastamento das pessoas em relação às artes e manifestações culturais, em todas as suas vertentes».Mais

A VIDA DOS OUTROS - THE METROPOLITAN MUSEUM OF ART




Via NYT online cheguemos ao The Metropolitan Museum of Art que tem novidades.

A VIDA DOS OUTROS - O BOLSHOI DE VOLTA


BOLSHOI: A Cultura como «marca», e não apenas da «boca para fora».

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ARTES CÉNICAS - COLECÇÃO DOCUMENTOS

Aqui está um acontecimento que me dá muito gosto divulgar (quando vejo tanta memória a desaparecer todos os dias). Saiba mais em endereço do
Arquivo Distrital do Porto.
O código  de referência da colecção é: PT/ADPRT/COL/CDAC
E há  video no youtube:
A apresentação foi ontem no Porto. E temos exposição nos claustros do Arquivo de 2 a 18 de Novembro.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ENTREVISTA DO DIRETOR DA DGARTES

Neste momento apenas a chamada de atenção para quem não tenha dado por isso: o Diretor Geral da DGARTES, Samuel Rego, deu uma entrevista ao Jornal i,  e a manchete é:
“Estamos a eliminar projectos que desperdiçavam dinheiro”. Teremos todos curiosidade em saber quais serão esses projectos. E, a ser verdade, quem vai ser responsabilizado por isso, obviamente. A entrevista está disponível online, confira por si. E havemos de voltar a ela, isolando matérias e/ou comentando sempre que aqui no Elitário Para Todos estejamos apetrechados para isso ou leitores nossos.

domingo, 23 de outubro de 2011

GUIA VISUAL DA CRISE

It’s All Connected: An Overview of the Euro Crisis

European leaders are meeting this week to deal with growing debt problems rattling investors worldwide. Here is a visual guide to the crisis. Veja o esquema.

sábado, 22 de outubro de 2011

ENCONTRADA A ORIGEM


Muitos se têm interrogado sobre a origem das medidas ou ameaça de medidas que vêm da Secretaria de Estado da Cultura. Um leitor pensa que a descobriu: MAIS SOCIEDADE. Para já, dos intervenientes que estão identificados na inicitaiva como se pode ver estão em funções na Secretaria de Estado:
Francisco José Viegas - Secretário de Estado
Rui Mateus Pereira - Chefe de Gabinete
Samuel Rego - Director Geral da DGARTES
Vera Castanheira - Adjunta.
Face a amostra tão significativa faz todo o sentido que as ideias venham daqui. E perante o que vai acontecendo parece confirmar-se. Mas no site da mais sociedade há trabalhos de outros intervenientes ( o leitor não descobriu se estão em alguma função pública): 
Vitor Nobre
Luis Costa
Jorge Barreto Xavier.
Claro que a partir de agora a tentação de ir comparar com o dito na Mais Sociedade e o que vai acontecendo é irresitível. Por hoje, mais do que aquilo que está a ser seguido,  a contradição.De facto,  no Documento da autoria de Rui Pereira e Francisco José Viegas pode ler-se:
O Opart ou o «novo» sistema de integração empresarial (no sector do Estado) dosTeatros Nacionais configura um modelo de administração centralista e dirigista,desresponsabilizando cada uma das estruturas pela existência e gestão dos seus
próprios projectos.
Então Senhor Secretário de Estado, para nós que não o conhecemos, pode explicar-nos como passa disto para o que agora propõe? Ou seja, para um mega organismo que a técnica e a prática mostram que não funciona, como aliás era seu entendimento?
  

REDES SOCIAIS E ORGANIZAÇÕES DAS ARTES

Neste Blogue podemos ler que «América usa redes sociais para trabalhar e Europa para lazer». Lembrei-me deste post ao ver este artigo - Rendezvous With Art and Ardent  - no NYT de hoje, de que retiramos:
«With so many museums, exhibits, art galleries and lectures to choose from every day, how does a busy young arts professional keep up? For Francesca Merlino and about two dozen of her colleagues who work for museums and arts groups in New York City, it’s following each other’s 140-character updates on Twitter and the hashtag, #artstech.
(...)
“We use Twitter to not only to connect with one another, but to share what we feel brings value to a larger online arts community,” said Ms. Merlino, 26, senior marketing manager at the Guggenheim Museum. “It has enabled us to form both professional and personal relationships that has provided countless opportunities for learning and collaboration.
(...)
Social media platforms like Twitter and Facebook have been helping people discuss art online and discover events at museums and galleries. And in the last year, several museums, among them the Guggenheim, the Brooklyn Museum and the American Museum of Natural History have been using social media to expand their audiences.
For those who want to see art and discuss it in person, there’s the power of another platform, Meetup.com, through which millions of people around the world schedule all kinds of events
(...)»

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

DAR

Valem-nos os  alertas do Google  para acompanharmos  acções  públicas que nos deviam ser comunicadas de uma forma sistematizada numa lógica de Prestação de Contas. Foi pelo Google que um leitor deste Blogue soube desta notícia de que retiramos:
«(...)
Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, referiu que a Direcção Geral das Artes, organismo do Ministério da Cultura vai oferecer ao Conservatório de Música de Santarém uma colecção numerosa de partituras, uma biblioteca de música. Mencionou que o Conservatório era muito importante e que “Santarém merece esta obra. É um equipamento que ao contrário dos outros equipamentos, que não são aproveitados, nasce de uma necessidade, é um equipamento que a comunidade foi exigindo e por outro lado foi uma iniciativa da Câmara Municipal de Santarém que foi uma força central a contribuir para isso”.
(...)
 Maria Beatriz Martinho, presidente da Direcção do Conservatório de Música de Santarém, recordou, durante a inauguração, Francisco Viegas, grande figura de Santarém e presidente da Assembleia Geral do Conservatório, até ao fim, “companheiro de muito anos, um lutador incansável pela implantação e crescimento do nosso Conservatório”. Referiu que sempre têm apostado numa excelente qualidade pedagógica a que conduziu a sucessos de qualificação dentro e fora do país, através da participação dos alunos.  (...)»
Já antes, a 15 de Setembro, também se soube pela Comunicação Social o seguinte:
Universidade recebe livros
 O secretário de Estado da Cultura e o director-geral das Artes assinaram com a Universidade de Évora um protocolo de doação de um acervo de sete mil publicações nas áreas das Artes Visuais, Arquitectura e artes do espectáculo.
 Para o reitor da Universidade de Évora, Carlos Braumann, trata-se de um "espólio valioso" e um "importante contributo pelo apoio que dará aos nossos alunos e aos nossos ensinos".
 Na ocasião, o Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, antigo professor da Universidade de Évora, considerou não fazer sentido o referido espólio estar "guardado e condenado à inutilidade na Direcção- Geral das Artes".
 "É importante estabelecer protocolos com as Universidades pois as suas bibliotecas estão abertas ao público" afirmou, esperando que dentro de alguns anos possam contribuir com novo espólio.
 A Direcção-Geral das Artes possui um acervo documental especializado no domínio da arte contemporânea e das artes performativas que pretende contribuir para a promoção da investigação, do estudo e da reflexão crítica nos domínios das artes.
Alguém sabe o que se está a passar na DGARTES? Algumas perguntas: estes «espólios» estavam na DGARTES porquê? Em que condições estão a ser oferecidos? E porquê aqueles «felizardos» e não  outros? É a vontade do Principe?

EM TEMPO DE CRISE: debate, tomada de posição

MUSEUS
Notícia sobre  iniciativa do ICOM.

Aumento do IVA - Notícia no Correio da Manhã 
POLÉMICA - ARTISTAS JUNTOS CONTRA O AUMENTO DO IVA
Ruy de Carvalho apela à união
Encontro levou centenas ao Coliseu de Lisboa para elaborar um pedido de audiência com o primeiro-ministro, mas carta do actor foi ponto mais alto
Ana Maria Ribeiro


«Não há justiça em muitas das medidas que o Governo apresenta" e "só através do pânico e do medo é que nos inibimos da revolta". As palavras são de Ruy de Carvalho, lidas ontem no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, por Filipe La Féria, no encontro que juntou várias centenas de artistas em protesto pelo aumento de seis para 23 por cento do IVA cobrado às artes performativas.
Se o jurista Henrique Pina Borges, porta-voz do Campo Pequeno, já tinha lançado o mote, ao questionar a legalidade de uma medida que parece ir contra a Constituição - onde está inscrito o direito universal à Cultura -, foram as palavras de Ruy de Carvalho que mais aplausos arrancaram aos presentes. O actor apelou à união do sector ao dizer que "se está a arquitectar o fim das companhias de teatro".
O aumento da taxa de IVA cobrada às salas de espectáculo representa um aumento real de 400 por cento e vai forçar os produtores a aumentar o preço dos bilhetes em 17 pontos percentuais. Na mesa, Paulo Dias, director da UAU, explicou que o encontro visava a constituição de um grupo de trabalho para pedir ao primeiro-ministro que revogue a medida.
"Vamos perder 50 por cento dos espectadores", estima o produtor Álvaro Covões, na mesa em representação do próprio Coliseu, que enfrenta grandes dificuldades financeiras e pondera a possibilidade de fechar portas durante parte de 2012.
 José Luís Ferreira, director do Teatro Municipal São Luiz, louvou a iniciativa do Governo de manter o IVA a seis por cento para o sector livreiro. Mas agora pede a Passos Coelho que retroceda e estenda a isenção também às artes performativas.
 
o Link.

JÁ CHEGA!

Já Chega! é o titulo do artigo da Deputada Inês Medeiros publicado hoje no Jornal Público, onde se pode ler:
«Há anos que o sector cultural está, em Portugal, sujeito a um discurso dominado pela demagogia e a irracionalidade. Depois da denúncia dos ditos "subsídio-dependentes" levada até à exaustão sem que ninguém se digne a verificar onde, quem, como, porquê e para quê a existência de um sistema de apoio público às actividades culturais, depois do indigente discurso sobre a questão do público, eis o culminar da irracionalidade com o aumento de 6% para 23% da taxa de IVA nas actividades culturais.
Em todas as actividades culturais? Não, todas não. Qual aldeia gaulesa o sector do livro escapa. Não que eu ache que o sector do livro devesse estar incluído. Só posso aplaudir que ele não seja abrangido, mas não deixa de ser confrangedor que o único sector que o secretário de Estado conhece em profundidade seja também o único para o qual arranjou argumentos convincentes para evitar esta subida brutal da taxa do IVA.
(...)
Francisco José Viegas anunciou que, no intuito de promover a reconciliação com o público, os planos de actividade das entidades culturais que beneficiam de apoios do Estado seriam analisados pelos seus serviços sob esse prisma. Como seria expectável foram muitas as vozes a levantarem-se na defesa da autonomia criativa. Incomodado pela "suspeita de dirigismo cultural", o secretário de Estado respondeu que "quem o conhece" sabe que apenas pretende "dar a sua opinião". E, como prova da sua abertura, convida-nos para uma reflexão, a dez anos, para estudar o problema. Significa isso que devemos perguntar a quem conhece o sr. secretário de Estado o que ele pensa sobre esta irreflectida subida do IVA? 
(...)».

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

COMPROMISSOS

Uma notícia, nomeadamente sobre o prometido no âmbito do reforço aos apoios às artes, depois de terem sido cortados:
Plateia quer respostas da SEC sobre compromissos assumidos pela anterior tutela  A Plateia - Associação de Profissionais das Artes Cénicas pediu uma audiência urgente à Secretaria de Estado da Cultura (SEC) para obter esclarecimentos sobre "compromissos assumidos pela anterior tutela" sobre os apoios aos artistas de várias áreas.
 De acordo com um comunicado da entidade, que tem sede no Porto e reúne cerca de vinte estruturas artísticas, na sequência da divulgação da proposta do Orçamento do Estado para 2012 e das Grandes Opções do Plano para 2012-15 para o setor da Cultura, foi enviada uma carta ao secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, para pedir uma audiência.
 Na missiva, assinada pela presidente da direção da Plateia, Ada Pereira da Silva, a associação pede esclarecimentos sobre "a restante aplicação prometida [pela anterior tutela] dos cinco milhões de euros, de que apenas há informação de cumprimento dos apoios pontuais este ano" e também "sobre as restantes medidas de apoio à internacionalização e à rede de cineteatros".
 A Plateia recorda, na carta enviada à SEC que, no dia 15 de fevereiro de 2011, numa sessão realizada no Centro Cultural de Belém, a ministra da Cultura do anterior executivo, Gabriela Canavilhas, anunciara "um aumento da receita para a Cultura em cinco milhões de euros".
Mais na RTPonline 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

«Ó MINHA PÁTRIA, TÃO BELA E PERDIDA»

Já nos tinhamos referido a este acontecimento, mas agora chegou-nos, através de um dos nossos leitores, com descrição mais completa:
No último dia 12 de março a Itália festejava os 150 anos de sua criação, ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilônia, uma obra não só musical mas também, política à época em que a Itália estava sujeita ao império dos Habsburgos (1840).
Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que era dirigida pelo maestro Ricardo Mutti. Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni Alemanno - ex-ministro do governo Berlusconi, discursou, protestando contra os cortes nas verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.
 Como Mutti declararia ao TIME, houve, já de início, uma incomum ovação, clima que se transformou numa verdadeira "noite de revolução" quando sentiu uma atmosfera de tensão ao se iniciar os acordes do coral "Va pensiero" o famoso hino contra a dominação. Há situações que não se podem descrever, mas apenas sentir; o silêncio absoluto do público, na expectativa do hino; clima que setransforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reação visceral do público quando o côro entoa - "Ó minha pátria, tão bela e perdida”. Ao terminar o hino os aplausos da plateia interrompem a ópera e o público se manifesta com gritos de "bis", "viva Itália", "viva Verdi".
 Não sendo usual dar bis durante uma ópera, e embora Mutti já o tenha feito uma vez em 1986, no teatro La Scala de Milão, o maestro hesitou pois, como ele depois disse: "não cabia um simples bis; havia de ter um propósito particular".
 Dado que o público já havia revelado seu sentimento patriótico fez com que o maestro se voltasse no púlpito e encarasse o público, e com ele o próprio Berlusconi.
 Fazendo-se silêncio, pronunciou-se da seguinte forma, e reagindo a um grito de "longa vida à Itália" disse RICCARDO MUTTI:
 "Sim, longa vida à Itália mas... [aplausos]. Já não tenho 30 anos e já vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquiesço ao vosso pedido de bis para o Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o côro que cantava "Ó meu pais, belo e perdido", eu pensava que a continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa pátria, será verdadeiramente "bela e perdida". [aplausos retumbantes, inclusive dos artistas da peça] Reina aqui um "clima italiano"; eu, Mutti, me calei por longos anos.
Gostaria agora...nós deveriamos dar sentido a este canto; como estamos em nossa casa, o teatro da capital, e com um côro que cantou magnificamente e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que todos se juntem a nós para cantarmos juntos."

 Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Côro dos Escravos.
Toda a ópera de Roma se levantou... O coral também se levantou. Vê-se, também, o pranto dos artistas.

domingo, 16 de outubro de 2011

O POVO UNIDO


Foto de Judite Garcia

«O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO» foi uma das «palavras de ordem» da manifestação de ontem. Da  manifestação dos Indignados, onde os Jovens eram a maioria. E eu que em algum momento pensei que durante a minha vida não ia ter mais necessidade de recorrer a «máxima» tão forte! Bem me diziam os mais velhos que nada estava garantido. Ah! e a CULTURA não foi esquecida nas razões porque se estava ali. De facto, também se gritou pelo direito à cultura em pé de igualdade com o resto. Como deve ser.

sábado, 15 de outubro de 2011

NYT Lisa Santos Silva




Noutro Blogue, aquando  desta Exposição no Centro da Gulbenkian em Paris escrevemos, como se verifica, sobre o acontecimento. Lembro-me que na altura reparei que a Comunicação Social portuguesa se deu alguma cobertura não dei por isso. Por acaso agora encontrei o que  no NYT se fez sobre a exposição e pensei que é sempre ocasião para se falar da  pintora LISA SANTOS SILVA, de quem sou amiga. Desde o tempo em que trabalhou na então Direcção Geral de Acção Cultural, agora DGARTES.  Mais ou menos por essa altura outros «nomes conhecidos» contribuiam também para que institucionalmente fosse claro o que se praticava  na esfera do serviço público quanto às «artes plásticas» em articulação pensada com o resto: João Vieira, Fernando Calhau, Julião Sarmento, ...  (Seria interessante comparar com o que se passa hoje).Pode ler-se no NYT: 
«Strategically placed halfway between the Arc de Triomphe and the Trocadero museum quarter is a discreet cultural center in an elegant town house once owned by the Armenian-born oil industry pioneer and promoter Calouste Gulbenkian. Though modest in size, the Centre Culturel Calouste Gulbenkian (51 Avenue d’Iena; 33-1-53-23-93-93; www.gulbenkian-paris.org) is worth a detour. The current offering, a show titled “Are You Ready Lola,” is a perfect example. On through April 22, the exhibition features 18 oil paintings by Lisa Santos Silva, a Portuguese artist who lives and works in Paris.
The title of the exhibition comes from a line in Max Ophul’s classic 1955 film “Lola Montès,” spoken by the circus director played by Peter Ustinov to the dancer, acrobat and courtesan Lola as she prepares to throw herself from a high trapeze — the moment of suspense when time and space fuse in infinity.
Ms. Santos Silva’s work, whether stylized figurative portraiture or abstracted lightscapes, is imbued with that same sense of dynamic suspense. Rich and densely colored, they are luminous, almost transparent, an effect produced by layer upon layer of paint brushed out thinly over a white gesso-primed canvas, then left to dry before the next layer. These paintings are more to be looked into than looked at. A series of russet-toned, turbulent abstracted pieces, “Farewell to the Colonies” (above), an elegy to her childhood in Angola, could have been painted by the famed landscape artist J. M. W. Turner.
The artist’s figures feature protruding eyes, sensual mouths and fixed expressions. A closer look at each reveals a secret, interior life, drawn from the Portuguese religious and feminist history to which the artist is consciously an heir. (...)» O resto.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

«LIBERTAR A CULTURA DO ESTADO»

Hoje são vários os orgãos de comunicação social que referem que «Segundo a versão preliminar da proposta das Grandes Opções do Plano 2012-2015 a que a Lusa teve acesso na quarta-feira, uma das prioridades da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) é implementar uma «nova política» de apoios, para «libertar as Artes da tutela do Estado». Ver, por exemplo o DiárioDigital.  Isto já andava a preocupar  gente aqui do Elitário Para Todos de há muito: veja aqui. E é o cerne da questão.

«O QUE É QUE ACHA, SR. SECRETÁRIO DE ESTADO?»

Hoje no Jornal de Negócios, um artigo de Nicolau do Vale Pais.
«O que é que acha, sr. secretário de Estado?
Nada me move nem contra nem a favor do sr. secretário de Estado da Cultura; acho que tem todo o direito ao seu estado de graça
 Nada me move nem contra nem a favor do sr. secretário de Estado da Cultura; acho que tem todo o direito ao seu estado de graça, pois estar debaixo da tutela directa de Pedro Passos Coelho, e suceder a Gabriela Canavilhas, não é tarefa fácil. Do meu ponto de vista, a extinção do Ministério da Cultura, só por si, diz tudo sobre o agoniante atraso cívico em que nos encontramos, e releva as imensas dificuldades de regeneração que esperam a nossa economia, que precisa urgentemente de se diversificar, de se libertar do equívoco do "shopping" e do pato-bravo, de clarificar realmente onde é que tenciona alavancar crescimento. Todo o Orçamento do Estado e a sua fúria de "cobrador do fraque" são, aliás, uma confissão da classe política, que nos sussurra pelos cantos austeros do confessionário em horário nobre: "perdoai-nos, eleitores, pois nós não sabemos o que fazemos".
Nesta linha beatificante de escrúpulo "troikiano", está a decisão recente da secretária de Estado da Cultura (SEC) de terminar com as entradas gratuitas nos museus da sua tutela aos domingos. Acha Francisco José Viegas que 36% de entradas pagas nos museus (o número actual) é uma taxa muito baixa, e que é preciso chegar aos 80% para assegurar a sustentabilidade destes espaços. Boas intenções que carecem de análise:
- 36% de público pagante é pouco, porquê? A quem, ou a quê é que nos estamos a comparar? Qual era essa percentagem há, digamos, 10 ou 20 anos? E se cresceu, por que terá sido? Que idade, por exemplo, têm esses 36%? Foi perfilada, de alguma forma, a tipologia do visitante (pagante ou não)? Existe alguma estratégia integrada de promoção dos museus em transversalidade com o Ministério da Economia, ou com sectores como a reabilitação urbana, o turismo, ou o planeamento do território, por exemplo? (...)» 
O resto

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

DISCUTIR

Segundo o Diário de Notícias,  da audiência  na Assembleia da República ao Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas:
«Os deputados da oposição estavam particularmente interessados em perceber o novo modelo organizativo da SEC. Mas Viegas pouco adiantou: "Os nossos objectivos são reduzir os custos e encontrar modelos mais eficientes de funcionamento." No que toca, concretamente, ao anunciado Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), a deputada socialista Inês de Medeiros foi taxativa ao afirmar que "sem autonomia financeira não há autonomia criativa" e quis saber se o SEC quer interferir na programação dos teatros nacionais. Viegas disse que "seria completamente ridículo pensar que os teatros nacionais vão perder a sua autonomia" pois "cada teatro tem a sua identidade" e tomará as decisões que entender sobre programação e contratações, por exemplo: "Não é uma questão de controlo. Aquilo que defendo é que para discutir as missões dos teatros são precisos os actores, os autores, os encenadores, os directores e nós todos.»
E face a isto reafirma-se a questão colocada no post anterior: mas as missões dos teatros estão em causa? É que por detrás das transformações das figuras juridicas ocorridas nos últimos anos, como alguém lembrava há uns tempos, a missão, e até a sua formulação, permaneciam no essencial. E talvez a razão, aventamos nós, se deva precisamente ao facto de na sua base estarem  muitos encontros, muitos debates, inquéritos, etc.etc.. Em que participaram actores, autores, encenadores, gestores, políticos, técnicos dos serviços da cultura... até se chegar ao que está fixado. Alguém deveraia arranjar um dossiê ao Senhor Secretário de Estado sobre o assunto, para ver se nos entendiamos, e passávamos adiante.  Ou seja, por exemplo, não percebemos, em termos de missão,  o que  estará de errado nisto que está definido para o TNSJ:
O TNSJ é uma Entidade Pública Empresarial que, no âmbito da sua missão de serviço público, tem como principais objectivos a criação e apresentação de espectáculos de teatro, dos vários géneros, segundo padrões de excelência artística e técnica, e a promoção do contacto regular dos públicos com as obras referenciais, clássicas e contemporâneas, do repertório dramático nacional e universal.
Considerando o teatro como arte por excelência da corporização e transmissão da palavra, o TNSJ tem como eixo programático a defesa da língua portuguesa e da dramaturgia em língua portuguesa, na sua norma e na sua polimorfia, incluindo as suas variantes dialectais. Esta prioridade atravessa os programas de formação de intérpretes, a direcção de actores e a exigência na qualidade dos textos, de escrita original ou em tradução. Mais no site do TNSJ. E raciocínio idêntico aplica-se aos organismos restantes. Salvo explicação em contrário, parece que o institucionalizado está precisamente de acordo, até, e em particular, (o que em certa medida até seria irrelevante), com o que o Secretário de Estado da Cultura defende. Conclusão: não se percebe onde está o problema. Ou será para desviar as atenções dos verdadeiros problemas?, como, por exemplo, os também noticiados no mesmo trabalho do DN:   
«Cortes até 30% nos salários do São Carlos e da Companhia de Bailado
 Opart. Administradores reuniram-se ontem com os trabalhadores para anunciar medidas de contenção orçamental ou diminuem salários ou cancelam a programação
 Lay-off e redução salarial até aos 30%. Esta foi a proposta que chegou ontem aos cerca de 500 trabalhadores do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) e da Companhia Nacional de Bailado (CNB) ontem à tarde pelos administradores do Opart, organismo de produção artística, que tutela as instituições. A medida pretende viabilizar a programação e a manutenção dos espaços. A Secretaria de Estado da Cultura (SEC), contactada pelo DN, escusou-se a comentar.
 Os funcionários do São Carlos foram informados do que está em cima da mesa em plenário, às 14.00. De acordo com uma fonte que esteve na reunião com os administradores do Opart, o gestor e maestro César Viana e o director financeiro João Villa-Lobos, foram traçados três cenários: fechar portas e pagar apenas salários, por um lado; despedir 30% dos funcionários; ou o lay-off, ou seja, trabalharem quando há produções e ficar 'em casa' com uma redução salarial que pode chegar aos 30%. "Durou 20 minutos", esclarece a mesma fonte, acrescentando: "Acabou num silêncio mortal."
 Três horas depois, umas ruas abaixo do Largo de São Carlos, na sede da CNB, os mesmos responsáveis davam a notícia aos profissionais da dança. A conversa durou meia hora e às 18.00, CésarVianae João Villa-Lobos desciam a Vítor Cordon em passo acelerado, enquanto no interior se debatia o impacto das medidas.  (...)»
 As conversas deixaram mais perguntas do que respostas: a medida será aplicada durante quanto tempo? Que acontece à programação que já estava prevista e para a qual já foram feitos contratos? Como aplicar a lei de lay-off aos bailarinos que têm de treinar diariamente? A Opart, através do departamento de comunicação, emitirá hoje um comunicado sobre a situação no TNSC, onde trabalham cerca de 300 pessoas, e CNB, que integra aproximadamente 200.
 o Sindicato dos Trabalhadores dos Espectáculos também "está a acompanhar a situação", explicou ao DN Mário Pegado. "As pessoas estão totalmente perplexas. Não percebemos como é que se chegou a este ponto." Hoje, dia em que o Governo discute a proposta de Orçamento de Estado para 2012, o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, vai estar na Feira do Livro de Frankfurt "a fazer contactos" e é pouco provável que se pronuncie sobre os cortes nesta área.»  

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

AFINAL NÃO ERA APENAS A GRATUITIDADE NA ENTRADA NOS MUSEUS

No Elitário Para Todos, só hoje se percebeu que aquilo da Gratuitidade nas entradas nos museus que encheu a comunicação social nos últimos dias não tinha sido declaração isolada do Secretário de Estado da Cultura, mas sim parte de uma longa entrevista dada em hórário nobre na SIC notícias  ao jornalista António José Teixeira. E só hoje pessoal aqui do blogue viu todo o Programa. E aquilo merece reflexão, porque, embora não pareça para quem não viu, houve mais para lá da gratuitidade. Ora aqui vai dos nossos destaques:
- Desde logo, e usando linguagem futebolista, na primeira parte as perguntas do jornalista foram magnificas, depois houve um momento de grande trapalhada em que se confundiu empresa com entidade pública empresarial, em que não se contestou o uso da ACE agrupamento complementar de empresas à situação, em que não se sublinhou que os Teatros Nacionais têm a sua missão explicitada e fixada em diploma parecendo que o Senhor Secretário de Estado desconhece isso mesmo. Muito discutida em devido tempo. Como diz um leitor deste blogue, o jornalista que tinha estado tão bem começou a ficar pressionado pelo tempo e baixou na clareza. Mas na parte final voltou a estar em alta, o jornalista.
- Quanto ao Senhor Secretário de Estado, comentando avulso, aquilo da «lealdade» soou  esquisito. Como se mede? Saberá o membro do Governo que há sistemas de avaliação em vigor na Administração Pública directa e «tutelada» (para utilizar linguagem na linha da sua), que assenta na fixação de objectivos claros e mensuráveis ou, pelo menos, verificáveis?  De repente, ainda se pensou que em vez de «leal» iamos cair no «fiel». (Em tempos pela cultura, consta que alguém disse: «é incompetente, mas é-me fiel»). 
 - Depois, toda aquelas explicações sobre o que afirmou  e  que afinal não tinha dito, sobre o que a comunicação social sublinhou e não divulgou, sobre quem ouviu e quem lê enquanto opinião publicada, sobre quem o conhece ou não,  pareceu em alguns momentos pior a «emenda do que o soneto», e noutros  um grande desconhecimento da realidade, e noutros, com o devido respeito, no minimo, um pouco banal.  
- Diz que aquilo que afirmou sobre os públicos não se aplica aos «grupos independentes». Mas como! então os públicos e as receitas geradas não são abrangidas pelos regulamentos em vigor? Veja só Senhor Secretário de Estado o que por exemplo está na legislação e a ser considerado: «Públicos alvo e iniciativas de captação e sensibilização»; «Receitas estimadas, tais como receitas próprias, e, devidamente comprovados, acordos de co-produção, patrocínios, mecenato e outros apoios e financiamentos».
- E depois diz que disse que a Cornucópia também é serviço público e que a Comunicação Social não o reportou. Pois claro que é, ( e de excelência diremos aqui no Elitário Para Todos), e nisso tem assentado todo o sistema de apoios, desde sempre. Para a Cornucópia e para todos os outros.
- Diz também o Senhor Secretário de Estado:  «queremos discutir a missão dos Teatros». «Qual deve ser a sua natureza». «A sua missão deve ser discutida por todos». À partida, em teoria, não deve haver ninguém contra isto. Mas a dúvida inicial: o que é que  está errado no que existe?  Aquilo dos clássicos e dos contemporâneos, se bem nos lembramos, está lá fixado em forma de lei. Claro, depois tem de haver dinheiro para que a programação concretize o legislado.
- E queixa-se o Senhor Secretário de Estado de que se levantou  «um grande burburinho». Está bem, mas quem começou? Com o devido respeito, mais uma vez, que é bonito, faz lembrar a história daquele «que matou o pai para dizer que é orfão».
E afinal podemos estar todos descansados porque o Senhor Secretário de Estado parece que disse que o que deseja é que se discuta, e que se calhar em algum momento o que disse até era para provocar. Nós aqui, como já se percebeu, também gostamos de discutir e até temos sugestões e propostas muito elaboradinhas. E muitos de nós cansados de estar sempre a começar do zero. 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

SEC.XXI, CULTURA, WEB, PORTUGAL

Ao fim de Cem dias  não se percebe como para Portugal a CULTURA «Institucional»,   global e integrada, está presente na WEB. Alexandre Pomar denuncia-o de maneira expressiva. Aquele principio de que só devemos acabar com a solução que existe quando a nova estiver pronta para entrar em acção - se é que é isso -  não foi adoptado.  E ninguém se sente obrigado a uma justificação! E não deve haver responsável...

BOAS NOTÍCIAS

O que se passa na prestigiada THE METROPOLITAN OPERA interessará a quem lida com a gestão de organizações da cultura e das artes. Através do NYT de hoje soubemos de boas notícias:
«(...)
In the warren of Met administrative offices, the people who run one of the world’s busiest opera houses had something else to applaud: a record amount of contributions for the fiscal year that ended in July. According to preliminary figures released for the first time, the Met hauled in $182 million, an astonishing amount in a tough economic climate and 50 percent more than it raised just the year before.
And there was other good news. For the first time in seven years, the Met had balanced its budget, thanks partly to $11 million in profits last year from its HD movie theater transmissions, which had been operating for only five years (...)». Mas as nuvens negras continuam lá:
«(...)
But even Mr. Gelb’s enthusiasm cannot erase the significant financial problems that remain. The Met is carrying $41 million in debt. Ticket sales declined last year. The endowment remains damaged by the recession. At last count, its pension accounts were seriously underfinanced. And no one, not even Mr. Gelb, suggests that it will be easy to repeat the fund-raising success of the past year.
Donor contributions now support 43 percent of the Met’s whopping $325 million operating budget, up from 38 percent in 2005.
Without that kind of continuing generosity, the Met will have an exceedingly hard time paying for the most expensive performing arts program in the country.
“Any performing arts organization that depends on contributions is going to have to raise even more in contributions the following year,” said Robert J. Flanagan, a retired Stanford University economics professor who studies the performing arts. “Are the tastes of people who like opera strong enough to be willing to pay that amount?”
Of course, to focus too much on these pitfalls now, as the money pours in, is a little like worrying about your cholesterol as rescuers save your life after a car crash.  (...)».

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

«SIMPÓSIO DE ECONOMIA CRIATIVA»


O «Simpósio» chega-nos assim:
 «A aposta na criatividade e no capital humano é essencial para desenvolver uma economia moderna e competitiva. A especificidade da economia criativa com a sua lógica transversal - interdisciplinar, transectorial - em que tudo está relacionado, obriga a uma nova abordagem de desenvolvimento e troca de experiências entre os vários sectores. A experimentadesign inicia um ciclo de simpósios dedicados a este tema com vista a impulsionar a capacidade de iniciativa e o empreendedorismo nacionais.
O primeiro simpósio é realizado em colaboração com a Embaixada do Reino Unido em Portugal e com o Trade&Investments UK, tendo entre os oradores convidados Sir John Sorrell, Presidente do London Design Festival e da The Sorrell Foundation. O evento reúne dezenas de participantes oriundos de diferentes áreas de actividades ligadas às indústrias criativas, de 3 principais países: Brasil, Reino Unido e Portugal.
(...)». Como pode ver no seu site.  Naturalmente, depois de termos divulgado neste blogue estes acontecimentos e mais este  e de termos dado conta disto, faz todo o sentido que se divulgue aqui o «1.º SIMPÓSIO» dos Simpósios da Experimenta Design sobre a matéria. Interessante seria termos um inventário de tudo o que tem acontecido à volta da temática. Aqui do Elitário Para Todos já se tem ido a muitos «1.ºªs» seminários, conferências, encontros, e por aí fora ... E, ainda ssim, com tanta iniciativa não parece que a coisa tenda a clarear ... 

PORTUGAL EXPORTADOR

A iniciativa pode ser vista no site do Portugal Exportador 2011 . Ligando-a a este post recente do Elitário Para Todos não pode deixar  de  comentar-se que aqui estaria espaço adequado para tratar a Cultura e as Artes que fazem a sua vida no mercado como qualquer outro sector. Em particular, serviria também para delimitar o que cai no Serviço Público. Delimitar fronteiras, como se tem defendido neste blogue, parece-nos fundamental. Aqui fica a dica para o próximo Portugal Exportador.

domingo, 9 de outubro de 2011

GRATUITIDADE - MUSEUS


«A gratuitidade não é um bom principio» .

Francisco José Viegas 
 Secretário de Estado da Cultura
O principio foi declarado para os museus. Mas o tom, o contexto e os fundamentos impelem a que se indague de baixinho: e o SERVIÇO PÚBLICO, para o Senhor Secretário de Estado, será um bom princípio?

A IMPORTÂNCIA DE UM «LOGO»

Hoje no NYT.

sábado, 8 de outubro de 2011

«GABINETE PORTUGAL MUSIC EXPORT»

Chamaram-nos a atenção para esta notícia:
«Secretaria de Estado da Cultura revê Gabinete Portugal Music Export
A Secretaria de Estado da Cultura (SEC) está a avaliar a criação do Gabinete de Exportação da Música Portuguesa, com uma dotação de um milhão de euros, disse hoje à Lusa fonte oficial da tutela.
O Gabinete de Exportação da Música Portuguesa foi criado pelo antigo Ministério da Cultura no âmbito de um protocolo estabelecido com a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e a cooperativa GDA, com o objetivo de promover e "abrir canais para exportar a música portuguesa", sendo dotado de um milhão de euros a investir por três anos.
"O protocolo estava incorreto do ponto de vista legal e substantivo e está a ser revisto, mas a SEC mantém o objetivo de apoiar a exportação da música portuguesa", disse a mesma fonte.
O presidente da SPA, José Jorge Letria, disse hoje à Lusa que este foi um dos assuntos debatidos numa audiência da cooperativa com o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, realizada na semana passada e hoje tornada pública.
O presidente da SPA referiu que a viabilidade daquele Gabinete, criado na anterior tutela da Cultura sob o nome Portugal Music Export, dependerá de "uma avaliação que o secretário de Estado pretende fazer e que tem a ver com a estrutura e a dotação".
Em fevereiro deste ano, quando a criação do gabinete foi formalizada, a então ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, disse que este era um apoio "voltado para a economia cultural".
O gabinete pretende promover "música não clássica", de vários outros géneros musicais, como o fado, o rock ou o pop.
"Neste momento o projeto não está inviabilizado, mas está num limbo", admitiu José Jorge Letria, referindo que a SPA também já foi recebida pela chefia de gabinete do Ministério da Economia precisamente sobre o mesmo assunto, que remeteu para a tutela da cultura.
"Se a recuperação da economia passa pela exportação de bens culturais, a música tem um potencial que não pode se desprezado", defendeu. (...). O
resto da notícia.  E é assim «às pinguinhas» para termos ideia do que poderão vir a ser as escolhas públicas. E não pode deixar de se reparar no «voltado para a economia cultural» como qualquer coisa que se vai ali ao supermecado e se compra, e pronto. Como se para isso não fosse necessário como premissa um «serviço público cultural» sólido e que devia ser a primeira preocupação do então Ministério da Cultura e agora da Secretaria de Estado da Cultura. Mas venha lá o MUSIC EXPORT, claro. Tratar a CULTURA como qualquer outro sector é o que se exige pelo lado dos organismos da Economia. Mas é bom não misturar estações: serviço público é uma coisa; assegurado pelo jogo do mercado é outra. Vamos estar atentos ao «export». 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

«A COISA TA PRETA»

Como diz a canção, «a coisa ta preta». Mandaram-nos o comunicado que abaixo divulgamos.


CONVERSAR COM A CIDADE
É uma iniciativa do Cendrev que convida o seu público em especial, os cidadãos em geral e a Comunicação Social, a juntarem-se aos trabalhadores desta estrutura artística na próxima segunda-feira, dia 10, a partir das 17h30, no passeio público frente ao Teatro Garcia de Resende, para vos dar conta das enormes dificuldades que o Cendrev está a enfrentar, dificuldades que estão a provocar grandes perturbações no nosso trabalho.
Tratando-se de um projecto teatral com profundas ligações ao público da cidade e da região, com relações regulares no plano nacional e internacional, estamos certos que as dificuldades por que passamos não deixarão indiferente o público e seguramente muitas entidades que connosco partilham a necessidade absoluta da salvaguarda da vida cultural, num tempo verdadeiramente adverso em que os direitos dos cidadãos vão sendo paulatinamente afectados.
Queremos contar com todos os que nos ajudaram a construir este projecto que, ao longo do seu percurso, tem sido um espaço de encontro de gerações e de cruzamento de muitas e diversas linguagens artísticas.

Segunda-feira, dia 10, a partir das 17h30, nós estaremos à vossa espera nesse passeio público que vamos transformar num espaço acolhedor para esta CONVERSA COM A CIDADE

CENDREV

Cendrev
Teatro Garcia de Resende
Prç. Joaquim António de Aguiar
7000-510 Évora
Portugal
Telefone: (00351) 266703112
Fax: (00351) 266741181
site: www.cendrev.com

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

BILHETEIRA, REPORTÓRIO E MISSÃO ARTÍSTICA


Saiu ontem no Jornal Público.

Bilheteira, reportório e missão artística
É no mínimo inadequado que o actual Secretário de Estado da Cultura falando dos Teatros Nacionais refira apenas como questões relevantes a bilheteira e a programação – é entretanto estranho que o outro teatro – chamado independente -, desde Abril, e já antes, uma componente decisiva da democracia, não seja sequer objecto de discurso. A bilheteira obviamente é uma questão em qualquer sector, uma variável contabilística e a programação é uma noção algo imprópria quando aplicada a um Teatro Nacional (TEATRO E NACIONAL). Falemos antes de públicos, mesmo de espectadores, já que cada um é singular e de política de repertório, e aí encontraremos o cerne da questão se a estas duas questões associarmos uma terceira que é decisiva, o projecto e a liderança artísticos. Uma política de públicos significa a existência em qualquer Teatro Nacional de um forte serviço educativo, significa uma articulação com escolas – das básicas às universitárias, todos os patamares de ensino, no caso português, dada o facto de serem teatros únicos de uma rede de dois –, significa estar em cena seis meses com o Auto da Índia e permitir aos nonos anos de todo o país um encontro directo com Gil Vicente – é um exemplo básico, para entrar pelos olhos dentro e há muitas maneiras de o fazer, isto é, de os contactar e trazer e de criar o objecto.
Em Milão, nos tempos em que aí aprendi, O Temporal de Strindberg, com o maravilhoso Tino Carraro encenado por Strehler, esteve seis meses em cena de sala cheia – fora digressões e reposições, inúmeras e permanentes - entre outros processos pela via de um acordo com os sindicatos. E as dinâmicas de relação com os públicos, e com o cidadão espectador, podem seguir todos os caminhos, os organizados obviamente – o Teatro é uma escola de homens livres, disse alguém e ao teatro só vem quem quer, mesmo organizadamente – e pelas vias informativo/publicitárias. Não se “vende” Shakespeare como se vendem sapatos, mesmo que os serventuários da lógica espectacular digam isso, porque do que se trata não é de atrair enganando, mas de trazer pessoas esclarecendo desde logo informativamente, de criar as condições de uma representação emancipada e não as de um prolongar do entretenimento industrializado como fruição. O teatro é grego, o circo é romano. Nem tudo o que é útil e mental, sensível, inteligente, potencialidade cognitiva, tem de ser rendível e o retorno de bilheteira deste tipo de objectos, os objectos teatrais, é idêntico ao retorno de bilheteira de outro tipo de objectos sensíveis, de certos livros por exemplo. Mas não nos iludamos, Ricardo III já rendeu o que tinha a render – falando de contabilidade – nas infinitas versões e abordagens em que se apresentou no Mundo e na História. E será sempre uma criação dispendiosa. Ulisses, de Joyce, com todos os entraves conhecidos à sua publicação, já superou certamente os custos de edição. Beckett brincou sobre isso quando em A última bobina fez Krapp falar dos seis exemplares vendidos do outro lado do mar, um “estrondoso êxito” e era Beckett. Objectos teatrais como os que Kantor criou não têm direito de cidade porque nada têm a ver com o universo da bilheteira? Poderão apresentar-se num Nacional?
Não estou a defender nenhum tipo de irresponsabilidade na gestão deste tipo de casas nem de nenhum tipo de casa. O exemplo do desastre e da incompetência vem de cima e continua – a dívida soberana não é de todos nós, é uma irresponsabilidade dos sucessivos governos. Há muitas casas e empresas portuguesas que não vivem acima das possibilidades como se diz para aí. Há gente séria e há gestores competentes. Mas esses não são os que têm ocupado o aparelho de Estado nas últimas décadas. Um Teatro Nacional não tem de ter apenas público e sala cheia por ter como objectivo ter público e sala cheia. O primeiro objectivo é artístico, de política de reportórios e de culto da língua, do português por certo, e de outras línguas porque não? Para isso necessita de artistas actores e encenadores, dos que fazem e sabem fazer e são cultos de fazer e não de academia. Uma política de reportório é uma escolha artística, de uma equipa artística liderada por um criador normalmente – o exemplo é histórico: Strehler, Cheréau, Lassalle, Vitez, Langhoff, Brook, Muller, não serão a evidência do que digo? Uns dirigiram Teatros Nacionais, outros, estruturas do mesmo tipo – o Relatório Langhoff sobre a Comédie de Genéve explica bem o que digo. É assim na Europa a que aderimos. Entre nós o único exemplo que nos foi legado é Ricardo Pais. Um Teatro Nacional, ou um teatro apoiado pelo Estado que assuma realizar um Serviço Público Teatral – e só esses devem ser apoiados – deve obviamente materializar como política de reportório uma escolha coerente que faça convergir critério artístico e subjectivo do criador líder de equipa, qualidade histórica, literária e cénica dos materiais seleccionados, actualidade dinâmica das escolhas e potencialidade criativa específica, linguagens em experimentação – entretanto, nada mais actual do que aquilo que é anacrónico disse Agamben ao dizer que cavalgar a onda é ir com ela mas não observá-la e perceber o que a faz ser onda e para onde se dirige. É claro que um reportório é a base de um programa e é claro que um reportório se dirige à cidade e ao país e deve potenciar de todas as formas a inclusão da cidade e do país na sua própria vida. Isso significa no nosso caso salas cheias de vida própria, de públicos diversos, de digressões continuadas e nacionais, de intercâmbio lusófono e internacionalizado constante, da criação de uma verdadeira comunidade específica. Cada teatro é ele próprio um país e uma cultura. Para isso é necessária não só uma liderança artística consequente mas uma visão de Estado adulta e avessa a paternalismos tutores. O que não temos infelizmente tido.       
Fernando Mora Ramos   

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

DA VENEZUELA PARA OS USA


Hoje no NYT: The Los Angeles Philharmonic has seized the initiative in guiding a national teaching program based on El Sistema, the Venezuelan-based movement that weds music teaching and social work. The orchestra announced on Tuesday that it would open an office, host yearly conferences and support a training program to sustain the effort. O resto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

PREMAC E CULTURA - MAIS UM PARTIDO QUE SE MANIFESTA

Desta vez foi o Partido Socialista a pronunciar-se sobre o PREMAC para a Cultura:
«(...)
A vice-presidente da bancada parlamentar do PS Inês de Medeiros condenou hoje a sujeição da programação dos teatros nacionais a um "visto prévio" do secretário de Estado da Cultura, o que considera ser "democraticamente gravíssimo".
  "Isto é um visto prévio. Não se pode vir dizer que se garante a autonomia. Como é que se garante a autonomia se os programadores vão ter que enviar a programação. Isto é democraticamente gravíssimo", afirmou Inês de Medeiros à Lusa.
 A deputada socialista sublinhou que os programadores terão, de acordo com o que foi anunciado pelo secretário de Estado da Cultura, de apresentar os programas dos teatros nacionais, "não como plano de atividade normal, mas para ter o aval" de Francisco José Viegas, "para saber se está ou não condizente com a política de público" (...)». O resto da notícia do Destak onde se pode ler também: «(...)Por outro lado, Inês de Medeiros manifestou "muitas dúvidas" quanto à inclusão dos teatros nacionais na estrutura da Opart, relativamente à qual já tinha algumas reservas, pela "subalternização" da Companhia Nacional de Bailado que acarretava.
 A inclusão da Cinemateca nesta estrutura merece, então, a sua "total desaprovação", argumentando que tem uma "vertente museológica e de arquivo" que não é compatível com a atividade dos teatros nacionais.
 "Surpreende-nos que haja uma decisão de acabar com o Opart e criar outro organismo ainda maior, que era algo que estava ainda a ser estudado, um tal agrupamento complementar de empresas, com todos os teatros, ao qual se vai ainda acrescentar a Cinemateca Portuguesa", afirmou
.(...)». 
Contudo, o Elitário Para Todos tem de lembrar que aquela solução ACE vem detrás, do Governo PS. São da anterior Ministra Canavilhas as seguintes palavras: «(...) Uma gestão conjunta dos quatro organismos, através de um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), permitirá, finalmente, imprimir mecanismos de eficiência organizativa, com importantes resultados na redução de custos estruturais, tendo em conta a escala, a dimensão e os custos comuns aos quatro teatros. Com o ACE a cumprir a sua missão, o ideal até seria a autonomização da CNB do TNSC (...)». Mais neste post do Elitário Para Todos.